sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Os pais, o amor e a economia
A Joana está doente, com uma daquelas viroses típicas (bem fazendo as contas já não estava há praticamente 3 meses, desde o Novembro horribilis).
Ontem dormiu comigo para ir acompanhando as febres e estado geral (tenho pânico dos picos).
No silêncio da noite ao adormecermos:
"Mamã, quando for grande vou viver nesta casa?"
"Sim, se quiseres podes morar" - enterneci-me
"Se o Rodrigo, irmão da Inês, me deixar eu vou escolher esta casa" - oh o amor
"Está bem, podem morar aqui ou na vossa casa, por exemplo aqui perto, vocês é que escolhem"
"Se ele não quiser, o problema é dele ele é que vai pagar!"
"Pagar? Pagar o quê?!"
"Pagar outra casa!" - oh a economia
Não sei se já eram neurónios avariados pelo adiantado da hora, mas não sabia se lhe havia de dar beijinhos por querer ficar connosco, enternecer-me pelo namorado fiel ou bater palmas pela perspectiva financeira! Por isso, ri-me e muito!
Por muitas incertezas que o futuro possa trazer, o tecto está garantido minha filha.
sábado, 26 de outubro de 2013
OLX
Ao sair da escola a miúda vê que a amiga L. tem um guarda-chuva com apito e pede um para ela. A auxiliar diz que só pode ser quando este se estragar e eu reforço, sim, o dinheiro não cai das árvores.
A miúda abre aqueles olhos como só ela sabe e soluciona, à Porto:
"UOLHA, vai ao olx!"
"OLX?"
"Sim, lá é que as coisas derretem quando se toca com o dedo, o sofá, a cama..."
Combinado!
Será que lhe devo dizer que isso é só no mundo da imaginação, tal como o unicórnio cor-de-rosa com asas em que queria andar, quando fomos fechar os dias quentes de Verão "na quinta da Joana", Herdade do Barrocal de Baixo?
sábado, 14 de setembro de 2013
Regresso à escola
No início de Setembro, quando íamos a caminho de Fornelos, para lá passarmos a semana, perguntou quantos dias faltavam. Respondi 10 e ela queixou-se que era pouco e que ia ter muitas saudades minhas. Respondi que no início custava, mas depois nos habituávamos, blá, blá. A coisa passou e não se falou mais. Para mim ficou o "uups como é que vai ser", mas deixei para lá que as crianças são imprevisíveis. Afinal de contas, o ano passado correu muito bem, a avaliação final foi de babar mais do que o caracol, no final é que já estava muito saturada.
- falando com os amigos R., I. e F. sobre coisas odiadas, cada um dando exemplos: "Odiar é muito feio! Eu não odeio nada." - ah linda menina, que coração puro - pausa e declara: "Só odeio a escola."
Caldo entornado!!!
- nos dias anteriores ao regresso, em preparação psicológica digo eu:
"Sabes o Verão não é o ano todo e nós não moramos aqui. Nem tinha piada nenhuma, não havia S. Martinho, nem Natal, nem Páscoa, nem íamos passear, nem brincar com os amigos, nem dia da Mãe,..., era uma seca". A cada coisa ela dizia "É, pois era!". Para testar ponho no meio: "Nem havia escola..." - estica o dedo "Ei, isso não me importava nada!"
Quando regressávamos da aldeia pergunta:
"Quantos dias faltam para começar a escola?"
"Faltam 3, vais na 3ª feira." - glup
"Estou ansiosa por ir para a escola! Ver os meus amigos e ver os novos manuais! Estou cheia de saudades e eles vão dar-me um grande abraço!"
Assim de repente fez-se este click, parece que encaixou que era fim de férias, tempo de regressar!
No domingo, perguntou se era no dia seguinte que ia, respondi que se quisesse podia ir na 2ª à tarde.
Respondeu que sim! Na 2ª deu dois saltos ao acordar e lembrar-se que era o dia!
Chegou à porta muito contente, a educadora fez-lhe uma grande festa e enquanto me dava os recados de início de ano, a Joana quis entrar.
Foi óptimo e a semana correu mesmo bem. Sei que vai haver dias melhores e piores, sobretudo quando se instalar a rotina (até porque já reclamou não poder ir só de tarde e por não poder jogar nintendo de manhã...), mas fiquei contente por não se agarrar às minhas pernas, isso passou.
E assim voltámos às rotinas, aos horários, ao tempo a correr... e ficou um vazio e um silêncio na casa, nos ouvidos e no coração.
Quando estamos desesperados com a confusão que criam devíamos pensar mais em como nos fazem falta e quando sentimos falta devíamos pensar mais na confusão, o tal lado positivo
sábado, 24 de agosto de 2013
AA
Foi estratégia para nos convencer a dar-lhe um sumo de laranja na piscina, a preços proibitivos. Face à gracinha e à tristeza do último dia de férias no Algarve, levou a melhor.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Embrulha
"Não percebes nada!" - diz a miúda ao explicar-me que não queria tirar os calções antes de lavar os pés, para não os sujar.
"Pois não, não sou sabona como tu."
"Quem me dera que fosses esperta mamã."
Toma lá!
Quando nos começam a tratar como totós é o início do declínio.
domingo, 23 de junho de 2013
Filho de peixe, peixinho é
A propósito deste post da Calita do Panados e Arroz de Tomate, aproveitei uma noite em que a miúda estava inquieta ao adormecer para lhe dizer para fechar os olhos e pensar em coisas boas. Depois perguntei-lhe em quê:
"Estou pensar em salvar o mundo. Proteger os animais e as flores, não deitar lixo para o chão."
Que nobre missão.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Pai Natal em Junho
O calendário do advento com o Pai Natal, deixado esquecido na sala nas arrumações de Janeiro, encontrou uma nova e grande utilidade em Junho, ao contar os dias que faltam para o Festival Panda.
A miúda começou no dia 1 a tirar a caixa do dia para o lado.
"Hoje é dia 14?!? Então depois de amanhã é o Festival do Panda!" - veio a correr pela cozinha fora. E saltou, saltou, rodopiou!
sábado, 8 de junho de 2013
Voar por aí
"Mamã, eu nunca vou voar?"
"Não, não tens asas, não és pássaro."
"Estou cansada de andar e saltar, eu queria voar!"
"Olha que os pássaros também se cansam!"
"O mano tem asas!"
"Asas?"
"Sim, mas não tão grandes como eu, só vai ter grandes quando crescer."
"Ah"
"Eu só consigo voar um bocadinho como as galinhas" - demonstra com um salto
"Já sei! No espaço há gravidade e vou conseguir voar!"
Ups... a vontade de voar está a tornar-se intensa
Eu faço-lhe todas as recomendações possíveis sobre os perigos das janelas, nunca são demais...
Voar é o sonho perseguido e alcançado pelo Homem há muito. Há algo que nos leva a querer ir mais longe e isso começa bem cedo.
Lembro-me de sonhar frequentemente que conseguia voar. Normalmente era pela casa e o problema era conseguir pousar.
Spread Your Wings and Fly! É o que quero que a Joana faça. Com os pés bem assentes na terra!
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Lazy Sunday Mornings
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Arrumação
domingo, 10 de março de 2013
Toma lá xaropes!
Num destes dias diz-me: "a vovó R. põe água mesmo no remédio, na colher, podes pôr?". Fiquei a olhar para a colher e pensei que não era possível, já que a dose era cheia. Talvez fosse depois de lhe dar, mas que diferença fazia?!? Segui o meu método do copo, que isto há que despachar e não ligar aos fricotes...
Mal chegámos a avó, a hora do almoço, na correria do "delivery" de filha doente: "ora explica lá à mama como é que pões a água na colher, que ela não sabe?"
Toma lá incompetente! Anda uma mãe a tratar com todos os cuidados da filha enferma, com noites mal dormirdas para isto.
domingo, 3 de março de 2013
A Poliglota
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Propinas trocadas por miúdos
O pai explicou-lhe que eram os valores pagos em vários países para estudar na universidade e que as imagens mostravam que em Portugal se pagava mais.
Conclusão: "Nós temos mais dinheiro, nós temos mais dinheiro!" nana-na-nana-na
Ou não.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Do alto dos 4 anos
No sofá de manhã pego-a ao colo, abraço-a e digo "minha pequenina".
"Eu não sou pequenina, já tenho 4 anos." - reclama
"Eu sei, mas já te explicámos que para os pais os filhos são sempre pequeninos. A avó N. também acha que sou pequenina" - esclareço a origem do "disparate"
"Então porque é que também dizes isso a mim?"
Toma lá mãe que já almoçaste, não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti.
Anda muito entusiasmada com o Dia dos Namorados, que no ano passado foi festejado na escola mais como dia da amizade. Antes dizia que não tinha e o namorado era o pai, agora até já disse que é o Zé. O pai brincou "O quê?!? Isso não pode ser!"
De manhã ao penteá-la lembrou-se que o dia estava quase a chegar e:
"O papá é que não gosta nada disso!"
"Sabes porquê? É que ele acha que é teu namorado." - explico
"Mas eu tenho 4 anos, o papá já passou muito tempo!"
Toma lá papá que já almoçaste, estás um bocado passado.
sábado, 29 de dezembro de 2012
Varinha mágica
À hora de sair de casa, vai arrumar a varinha mágica:
"Com esta varinha vou transformar-te para seres bonzinha Plinc!"
"Anda lááá despaaaacha-te!"
"Plinc transformei-te outra vez, não te podes zangar!"
Grrrrr sou bruxa má, nada a fazer... mãe sofre...
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
É a vida
"Mas amanhã vou acordar cheia de sono e ver desenhos animados e depois vou para a escola!"
"Pronto, depois quando vieres da escola."
"Mas depois vou dormir! É só escola, dormir, escola, dormir, escola, dormir!"
"Olha minha filha, é a vida!"
[e quando chegares da escola não te ponhas a estupidificar em frente à TV para na hora de dormir te lembrares das coisas que querias mesmo fazer, como os adultos]
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Mimos... para os pais
No sábado passado, após uma bela tarde no cinema a ver O Segredo dos Guardiões (recomendo*) e de brincadeira com os amigos R. e I., jantámos em casa e ficámos a "sofazar".
Cansada comentei com a Joana, "agora podias deitar-me na caminha e contar-me uma história".
Ela olhou para mim e comentou "Está bem, deixa-me só acabar os meus trabalhos, que vou por-vos a fazer xixi, deitar na cama, dar-vos leite e estrelinhas e contar uma história. Mas depois vocês têm que fazer igual!
Levou a sério e aplicou-se! Depois de me ajudar a vestir o pijama foi preparar o leite, tive que mandar lá o pai a correr, porque já ouvia a porta do frigorífico.
Lá veio contente com a caneca e taça (para nós a para ela) e cumpriu o prometido, muito compenetrada e contente.
Apagámos a luz e dormimos os três quentinhos
Desisti (novamente) da ideia da televisão no quarto. Depois da que explodiu há uns 3 anos (literalmente) não comprámos outra e pensámos ai e tal é inverno e sabe bem ver TV na cama e vem um baby que dá jeito amamentar no quarto.
Mas não, miminho faz muito melhor à saúde.
Ainda me perguntam como tive coragem [na perspectiva financeira e de futuro] para um 2º filho...
Para mim é a coisa mais natural do mundo.
É preciso é coragem para desistir dos sonhos.
(* tem que haver qualquer coisa de hormonal para ficar (eu) de lágrimas no olhos com este filme)
domingo, 21 de outubro de 2012
Promessas, promessas
"Quando for grande não vou ir à discoteca! É muito barulho e eu não gosto!"
"Quando for grande não vou beber vinho!"
"Quando for grande não vou arranjar um namorado!" [insiste em dividir o pai comigo]
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Adivinhas à moda da Joana
"Não."
"Tens que adivinhar. É uma coisa comprida e que pica."
"Arroz?"
"Não, é uma coisa que tu me costumas chamar."
"Amor?!?"
"Não, por ser muito crescida."
"?!!?"
"Começa por P"
"Huuuum..."
"Pa-pa..."
"Paaa..."
"Pa-li-ta! Palitos!"
Esta é a melhor de sempre, são muitas as que inventa.
Palita é mesmo por ter crescido, mas mais por ter ficado "fininha"!

sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Espantalhanço
A miúda, sendo muito observadora, distrai-se ao olhar "para ontem" corre a olhar para trás, anda de bicicleta a olhar para o lado e nem sei como até agora nunca lhe aconteceu nada de mais.
Desta vez, às corridas com um amigo vizinho foi directa, literalmente, à coluna da garagem de bicicleta, que virou, espetando com ela no chão. Quando lhe perguntei o que aconteceu, respondeu entre lágrimas gordas: "não virei!" Ah bom, mais descansada. Ainda bem que aprendeu a travar.
Vá, só um dedo trilhado e um certo orgulho meu, já que o choro foi mais pelo susto (do grito que dei) e lá conseguiu dizer "posso andar mais um bocadinho?"
Podes, põe o capacete que os bocadinhos prometem.

