sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Rita

Ano vem, ano vai, o cenário mantém-se... no Verão os incêndios, no Inverno as cheias... não há nada de imprevisível aqui, não é um tornado, não é um tsunami, nem um tremor de terra. Governo vem, governo vai, ministro vem, ministro vai e o problema mantém-se. Não há ordenamento de território neste país, não há política preventiva, não há fiscalização, não há punição, compensa pagar multas... [se houvesse em todas as áreas, incluindo a minha, o Ambiente, não faltava emprego, mas isso...]. Encolhem os ombros, comentam os números de aviões, o número de bombeiros, balbuciam qualquer coisa sobre as estratégias de combate e a formação (como se a morte fosse culpa deles que se foram lá meter)... Prevenção, que evita efectivamente perda de vidas, bens, património florestal, nada. A culpa é do anterior.

 Amanhã já todos se esqueceram da Rita, assim como de outras Ritas, noutras situações de impunidade neste país. Já "ninguém" se lembra por exemplo do Marlom que morreu a tiro ao proteger os colegas no assalto da Queima do Porto... E contra mim falo, que se calhar já esqueci de muitos... A vida continua, é certo, o pior é de quem vai e dos que deixam cá... Dizer que a Rita será uma estrelinha no céu é bonito, mas muito pouco para a filhota de 4 anos e família de agarrarem... sem colinho, sem miminhos...

 É duro, é injusto... lamentar não adianta... não morreu "uma bombeira", morreu a Rita.



Rita, 24 anos, bombeira em Alcabideche, morreu ao combater o fogo no Caramulo. Deixa a Ana Rita com 4 anos.

1 comentário:

Mara Quinta disse...

É triste... tão triste... E acabei de ler que morreu outra bombeira agora... :(